21.9.11

Amplexo

 Fui e fiz. Gesto simples que mudaria tanto e que, eu sei, não teve importância pra você. 
 Em mim, porém, adormeceu a explicou por inteiro um sentimento desaconselhável. Não foi nada de mais, mas eu guardei cada detalhe. O seu olhar apreensivo, a voz fugidia, a expressão de quem segura o riso, a timidez oculta e a pressa de sair logo. Em si, foi rápido e sem emoção, havia medo. Sua voz, antes fugidia, agora ficava nostálgica enquanto você desparecia pela porta, me deixando ali. E eu entendi tudo.
 Tudo exceto minha atitude adolescente, mas a defesa apresentada pelo meu cérebro fez bastante sentido: Eu precisava. 
 Precisava respirar você pra alimentar ou matar esse desejo crescente e inflamável que chegava a queimar minha retina a cada olhar teu. Eu me via frágil no lago de nanquim que são teus olhos.
 Desejo, sim, gritante. pressa, urgência, agonia e luta pra esquecer o toque suave da pele de marfim, o olhar que furava a alma e chegava no fundo dos olhos. Me deixei  vencer pelo seu jeito austero e pela verdadeira paixão que você exala. Mas perguntei (só a mim mesma) se me era permitida a dúvida da reciprocidade. 
 Seu abraço me mostrou que não.

Assim sendo, me calo e espero. Obrigada pela lembrança. 

22.5.11

sobre felinos

E eu volto pra essa vida que fica tão normal sem você.
Sem gosto, sem cor, sem som. Me sinto num daqueles filmes mudos onde tudo acontece e você fica olhando e imaginando onde estão as cores, os sons, o movimento dado pelas vibrações escondidas. Você fica imaginando porque na verdade, eles não existem. E aí você aparece. E fica tudo tão bonito. E sai tudo do normal.
 Acontece que eu sempre soube estragar tudo de bom que me aconteceu. Mas olha, às vezes nem é minha culpa.

É só que eu me sinto muito infantil desejando você aqui do meu lado de qualquer jeito.

18.4.11

"se eu soubesse que um dia chegaria aqui, nunca teria chorado, nem reclamado de nada. veria cada contratempo como um passo até você." (C.E.)

23.3.11

to assim

água, quase tudo, e cloreto de sódio.

15.3.11

das quedas sonhadas

Exausta de pessoas, chego ao topo de um grande e fundo penhasco. Não tenho medo. Posso voar por alguns segundos e esse sonho já me deixará completa. Vou até a beira. Aprecio as pessoas que apesar dos pesares eu morreria lentamente se perdesse. Você não estava lá. Dou um breve adeus a eles, quem eu raras vezes decepcionei, e pulo, de olhos fechados e fazendo o que eu realmente desejo. O ar é suave. Sinto como se a resistência fosse um pedido desesperado de "por favor, fique, não vá, vamos sentir sua falta". Eu sei que não é isso que pensam, é melhor que eu vá. Então eu continuo caindo. Na verdade, desejando mesmo subir. A vida de cima deve ser mais interessante. "Cair e voar, duas partes de uma mesmo processo", penso. E apesar de não para cima, continuo voando. Vejo o chão, agora tão perto. A terra me deseja e o vento não quer me perder pro chão. Eis que, de um susto, de uma leve abertura nos braços e um aceno leve seu de lá de cima, posso voar. Olho em volta e tudo está estático. Você é tudo que eu vejo. Meus braços não precisam se movimentar. A vista do chão àquela altura é um misto de susto e alívio. Tenho meu vôo, afinal. E você é tudo que eu vejo. Meus olhos te querem tanto, minha voz não seria capaz de dizer tudo que eu queria dizer, meus braços não seriam tão grandes para te abraçar tantas vezes quantas eu desejava. Então parei de olhar à minha volta e passei a olhar sem entender porque quando pulei, não vi você. Não importa. Eu estou subindo e você sorri. Quando eu chego e você me abraça, seus braços parecem de repente tão suaves quanto o vento. Você chora e me abraça com tanta força quando sinto a pancada. Você diz que vai sentir minha falta. Eu digo que não há com o que se preocupar. Meu corpo me avisa do sono. Você me pede pra não dormir. Não sorri mais. Te pergunto o que aconteceu, mas acho que você não me ouve. Eu só estou com sono, meu amor. Você deixa escapar uma, depois duas lágrimas. Fecha meus olhos. Obrigada.Mas porque não consigo mais abrir? Amor, o que aconteceu? Quase grito, mas você continua chorando e se perguntando porque. Por quê o que, meu amor? Eu estou aqui. Não estou morta. Fui salva pela minha gravidade particular.
É estranho, você é tudo que eu vejo. Nao vejo mais minha família nem meus amigos. Vou com você e você anda por pessoas que te abraçam e você chora e meu deus, amor, porque você está chorando? Eu estou logo ali, dormindo. Um barulho alto. Amor, que é esse barulho? Amor?
 Acordo com o barulho do despertador e o sonho se confirma.

14.3.11

só.

queria entrar numa piscina agora. sentir a água quente pelo meu corpo e sentir as bolhas indo do meu nariz até a superfície, devagar. o oxigênio se esgota rápido, mas eu sempre posso voltar.
estou dentro d'água.
abrir meus olhos e ver só a imensidão azul, calma, fluida, constante. sentir o sangue corrrendo no ritmo da água e sentir meu corpo relaxar, músculo por músculo. os nervos indo para o devido lugar e a cabeça esvaziando informações inúteis. poder respirar um ar tranquilo e sentir como na música a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.

4.3.11

li em algum lugar

"When the rain
Is blowing in your face
And the whole world
Is on your case
I could offer you
A warm embrace
To make you feel my love"


mas é verdade :s